Terça, 02 Fevereiro 2010 11:48
STRONG BUY
(2010-01-10, 3,03 euros)
Por Carlos Batista
A REN em termos gerais actua em duas grandes áreas de negócio, o transporte de electricidade em muito alta tensão e o transporte de gás natural em alta pressão. A concessão da rede eléctrica perdura até 2057 e a do gás natural até 2046. Novas oportunidades significativas poderão surgir como a já anunciada rede de abastecimento de carros eléctrico a desenvolver de raiz. Para já ficamos à espera…
Relativamente à estrutura accionista, o Estado detém directa e indirectamente 51,1% e o free float é de apenas 20,3%. O Estado manifestou interesse em proceder a novas fases de privatização da REN no futuro, o que poderá vir a ser encarado como uma medida de redução de défice público bem como da dÃvida pública, muito na moda nos dias de hoje, todavia, a acontecer, manda o histórico que será a um preço muito superior ao da primeira fase que foi a 2,85 euros. Uma nova fase de privatização aumentará o free float da empresa e consequentemente o interesse futuro dos fundos de investimento no tÃtulo.
A actividade da REN é desenvolvida em monopólio e os seus proveitos são regulados facilitando a previsão futura das contas da empresa. Os proveitos são obtidos mediante a aplicação de uma taxa de retorno (Rate of Return) que incide sobre os activos regulados da empresa (Regulatory Assets Base). Desta forma, uma quebra no consumo de electricidade e de gás não perturba os resultados da empresa. Actualmente essa taxa é fixa em 8% para os activos do gás até 1/7/2010 e para os activos eléctricos é de 7,55% e de 9,05% consoante entraram em operação antes ou depois de 1/1/2209. Estas taxas estão indexadas à taxa dos bilhetes do tesouro portugueses a 10 anos o que permite à empresa estar muito alavancada pois uma subida das taxas de juro agravará o custo da dÃvida da empresa mas também gerará um aumento dos proveitos, eliminando esse risco.
Depois de definida a forma como a REN gera dinheiro para os accionistas, os resultados da mesma só poderão aumentar se a empresa realizar investimentos de forma a aumentar os activos regulados. Na minha opinião aqui é que está a grande criação de valor para os accionistas que ainda não se encontra reflectida na cotação, pois durante o ano de 2009 foi anunciado pela REN um ambicioso plano de investimento que se encontra em contraciclo com a crise, destacam-se a forte aposta do nosso governo em diminuir a dependência energética do paÃs que gerará inúmeras barragens e parques eólicos necessitando de ligações à rede eléctrica nacional, novas ligações a Espanha também terão de ser construÃdas com vista a ser possÃvel o mercado ibérico de electricidade e gás.
O plano de investimento apresentado para o perÃodo de 2009-2014 cifra-se em €2,5B, €500M por ano. Desta forma, é esperado pela empresa que durante este perÃodo os activos regulados cresçam 8%/ano, o EBITDA 9%/ano e o resultado lÃquido 10%/ano. A dÃvida lÃquida atingirá no final do perÃodo €2,9B, o que representa um acréscimo de cerca de €1,2B, €240M por ano, esta situação denota a forte geração de cash-flow da empresa.

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Posto isto apresento as minhas conclusões:
Estimativa de Resultados:

Desta forma, para mim a REN não é mais do que uma obrigação que paga um cupão relativo ao ano de 2009 de cerca de 5,6% e irá crescer até 10,9% depois de implementado o ambicioso plano de investimento.
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Valor Actual dos Dividendos:

Este quadro mostra-nos que o mercado está neste momento a exigir um prémio de 9,81% à REN, ou seja, quem comprar hoje uma acção da REN está a trocar 3,03 euros por um rendimento futuro vitalÃcio médio anual de 9,81%, o que me parece perfeitamente desajustado quando temos actualmente depósitos a prazo a 2% e as próprias obrigações da REN a cerca de 3%. Considero um prémio justo de 5 a 7% o que indicia uma potencial de valorização da REN entre 43 e 105%. Quem conhecer oportunidades de retorno desta grandeza e com este risco baixo, por favor informem-me!!!
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