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Acontecimentos de 2011

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Por Fernando Braga de Matos*

(Onde o autor, como qualquer articulista que se preze em ocaso do ano, escolhe, dentre os acontecimentos que relevaram, os que julga mais memoráveis, no teatro nacional e internacional: para o primeiro, o descalabro do socialismo português que levou a banca à glória, e, para o segundo, a chamada "Primavera Árabe" pelas esperança que fez despontar e está longe de cumprir, pelo menos para já).

Após 14 anos quase ininterruptos de Partido Socialista, o socialismo português desabou num mar de défices e de dívidas, aliás o habitual destino deste tipo de governação de "o último a sair que apague a luz". O País ficou num caos económico e financeiro e numa severa perda de soberania, agora entregue, em boa parte, aos portadores das letras. Embora a queda seja uma condição necessária para se poder aspirar ao crescimento económico harmonioso, não é de per si suficiente, tal o mar de obstáculos a enfrentar, tanto a curto como a longo prazo. Realmente, o veículo mudou de condutor, mas o precedente deixou-o sem pneus nem combustível, e, seja como for, o chassis já estava votado à ferrugem. A reparação vai ser incrivelmente penosa para os passageiros e a locomoção nem sequer é certa devido ao excesso de bagagem inútil para alijar: o automóvel figurado tem atracados um mar de juro e responsabilidades, seja o mar de juros a pagar sejam as dezenas de parcerias publico privadas que ficam em encargo até 2050!

Nos últimos 13 anos, segundo os números do Banco Mundial, monitorizando 183 países, e referindo-se ao crescimento económico, Portugal ficou classificado em centésimo octogésimo segundo, sim penúltimo, ou 182º! Mas poderíamos julgar que este seria um caso de prescindir da riqueza em nome e em favor da igualdade, um tipo de chá que eu não sorvo, mas há gente que gosta, nomeadamente na família socialista. Mas o caso é que Portugal está em top dois da desigualdade dentre os países da OCDE! Como se vê, o fiasco deste país, que constitucionalmente vai "rumo ao socialismo", é completo.

Então, é evidente que a queda do partido socialista, com a mais baixa votação de sempre, e a introdução de reformas liberais por força da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (em 3ª visita nos últimos 33 anos!) tem de ser o acontecimento nacional do ano.

Ninguém, nem os serviços secretos de Israel, conseguiu prever a chamada Primavera Árabe, despoletada pelo auto-sacrifício de um modesto vendedor ambulante, num modesto local de um modesto país. Este foi, sem dúvida, um dos mais espantosos casos de sempre de asas de borboleta que, ao bater, provocam imprevisíveis e incomensuráveis sequelas algures, longinquamente. Já caíram as autocracias do Egipto, Tunísia, Iémen e Líbia (esta com um forte empurrão de meteorologistas), mas, se a primavera realmente ocorreu, o Verão ainda vem longe.

Se bem me lembro, foi a "Foreign Affairs" que comparou estes acontecimentos do mundo árabe com os que varreram a Europa em meados do século XIX e de que a famosa comuna de Paris, em 1848, foi apenas um exemplo , e o "Manifesto Comunista" de Karl Marx o lídimo momento do radicalismo que então surgiu. Também aqui, curiosamente, o avanço da tecnologia das comunicações desempenhou um papel determinante, não só pela força da novidade das notícias como pelo mimetismo que os vários acontecimentos revolucionários causaram. Então, foi o telégrafo; no século XXI, a Internet e os telemóveis. Não se sabe o que a Primavera da Tunísia irá trazer, mas a complexidade e ramificações do fenómeno irão ser tão espantosas como as de 1948, ao longo dos tempos e lugares. Quem diria, em 1848, que um obscuro movimento em Itália iria, em última análise, desencadear o comunismo soviético?

Então, pelo terramoto político que já causou bem como pelas reverberações que irá provocar, parece que a Primavera Árabe é indubitavelmente o grande evento de 2011.

 

* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Publicado no Jornal de Negócios dia 2 de Janeiro de 2012

 

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