Sexta, 23 Julho 2010 00:00

Por Fernando Braga de Matos*
(Onde o autor, honrado membro da sociedade dita de informação, manifesta a sua exaustão perante a enorme série de eventos vazios transformados em "notÃcias", pelo mundo dos média, desde a proposta de governo de salvação por Paulo Portas à proposta de revisão constitucional trazida pelo PSD, consumindo enorme quantidade de energia não renovável para efeito nenhum).
Toda a gente conhece a enorme concorrência implementada no mundos dos média, acoplada a quebra acentuada das receitas publicitárias, principalmente no grupo do suporte em papel, para grande alÃvio dos Verdes - e também dos amarelos, azuis, etc.- pois, deste modo, poupam-se toneladas de arvoredo. Então, todos nós, consumidores de informação, teremos que viver com a inundação de "bitaites" que acontece hoje em dia, inclusivamente proporcionada pelas dezenas de milhares de comentadores que desabrocharam nos campos férteis da polÃtica, economia, etc, (entre os quais eu me incluo, apesar das vãs tentativas para o discurso sério). No final, tudo fica inevitavelmente repetitivo, gasto, consumido, e outros adjectivos acabados em "asto" e "ido". O domÃnio do "vazio de qualquer mérito e interesse" aparece e instala-se, num pântano de chatice e vacuidade. Como consequência, as questões de importe para a República mal se discutem, como seja por exemplo a série de frangos com cheiro de churrasco do guarda-redes maravilha do Benfica (pelo menos, no preço). Que pensa o tesoureiro do ilustre clube, que diz o enciclopédico Rui Santos, como ironiza Pinto da Costa? O PaÃs não sabe. E como se distrai ? Com "chachadas" como a do governo de salvação proposto por Portas ou os poderes presidenciais e outras maravilhas com que o PSD avança no domÃnio da revisão constitucional. Analisando a falta de interesse destes temas:
Portas que, apesar de tudo, ainda consegue manter o porte de homem de Estado nos intervalos das feiras, ofereceu uma saÃda polÃtica para o estado de crise que um governo minoritário sempre arrasta consigo. Primeiro passo: Sócrates desalapa-se do poleiro e leva consigo a feérie de competências que para lá tem (digo eu que até era aceitável pagar-lhes férias a todos, em lugar exótico, à custa do Orçamento de Estado, desde que longas). Segundo: o PS arranja outro, eu até dizia um qualquer que frequente a sede. Terceiro: a esse PS junta-se o rejuvenescido PSD e o "forever young" CDS. Quarto: vivemos felizes para sempre. Mas isso, mesmo simples, não é possÃvel porque o PS, controlado por Sócrates, apesar das facas longas que por ele esperam, ainda não tem qualquer valido de um possÃvel sucessor. O PS não quer, ponto final.
Quanto à revisão constitucional, é difÃcil conceber como alguém tem uma ideia tão inoportuna, mesmo no PSD. Informa-me a minha mulher que é tempo de revisão ordinária; que o adjectivo, no particular, não significa "reles"; que, sendo assim, o correcto é apresentar propostas e atingir consensos e não apenas remendar uma lei fundamental marxista, que viaja entre nacionalizações e direitos adquiridos, no mais completo regresso ao passado anterior a 1989. Eu, por mim, reconheço que alguma coisa tem que se fazer, até porque 296 artigos é coisa que nem ao Chavez, o tal do "socialismo do sec. XXI", lembraria, e uma constituição não escrita só mesmo na cabeça dos "bifes". Vendo bem, até se podiam fazer umas coisas giras, com base na maioria de esquerda, como a "neo-autogestão" ou a "neo-cogestão" e até mesmo a neo-ditadura-democrática do proletariado, tudo a caminho do verdadeiro socialismo, o do sec. XXII. E que diz o imprescindÃvel PS, desde o nosso primeiro à ministra do Trabalho, passando pelo actualmente discreto Santos Silva, e acabando no presidente Almeida Santos? Bem… bastam alguns adjectivos: "muito grave", "extremista", "neo-liberal", "ultra-liberal", numa neo-histeria melbrookiana…Em suma: o PS não quer, ponto final.
Está visto, vamos com rumo a coisa nenhuma, a não ser agravamento da despesa pública, graças ao endividamento (1), como vimos no dia 19/7. Uma maravilha.
(1) Défice a aumentar 4.000 milhões, apesar do acréscimo de 6.000 milhões do lado da receita.
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* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença).
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Publicado no Jornal de Negócios dia 23 de Julho 2010
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