Quinta, 06 Maio 2010 00:00

por João César das Neves*
Perante o ataque especulativo contra a dÃvida portuguesa, Governo e oposição perceberam finalmente que a situação é grave.
O que mais espanta é a naturalidade com que se tomou esta atitude. Um Governo do Partido Socialista não encontra nada para cortar, num Orçamento de Estado que ocupa metade do produto nacional, a não ser os pagamentos aos desempregados?! Os responsáveis explicaram que as condições de atribuição dos apoios eram demasiado generosas, desincentivando a procura de emprego.
Mas se é assim então deviam ter sido alteradas logo, não quando os mercados duvidaram das contas. Afinal, o desemprego não começou a subir ontem.
Há várias explicações para este comportamento insólito, mas a mais assustadora é a mais plausÃvel. A nossa classe polÃtica (e a oposição não se pode pôr fora) está tão estrangulada pelos interesses instalados que, perante a emergência financeira, vai atingir os mais fracos para não beliscar os poderes superiores.
Esta reacção, muito mais que a instabilidade nos mercados, revela a gravidade da nossa situação. Quando os socialistas não encontram ninguém para prejudicar senão desempregados, o paÃs está mesmo num grande buraco. Não económico-financeiro, mas polÃtico-moral.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 6 de Maio 2010
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