Quarta, 25 Janeiro 2012 00:00

por João César das Neves*
A zanga pública entre as centrais sindicais, que já mete tribunais, é insólita mas pode ter vantagens para a CGTP. Compreende-se que, na pureza dos seus ideais socialistas, a Intersindical não consiga descer a negociar com o vil patronato e o Governo lacaio.
A opção de abandonar a sala fica bem na fotografia mas deixa tudo em aberto. Tendo os seus representantes ficado de fora, os trabalhadores da CGTP são também afectados pelo acordo assinado ou, se não o for, por aquilo que o Governo legislar sozinho. Por isso a posição de virgem ofendida que a Central costuma ter na
concertação social, por muito justificada que seja, sai cara aos interesses dos membros.
O momento nacional é grave, e toda a indignação é perfeitamente compreensÃvel. Mas depois de descarregar os nervos, é preciso voltar à vida e enfrentar a triste situação, como todas as suas indignantes circunstâncias. Mais, é preciso compreender que, se os sacrifÃcios são inelutáveis, há muitas maneiras de partilhar esses custos pelos vários grupos. Aà só aproveita quem estiver à mesa da negociação.
Os «dirigentes da CGTP-IN, não socialistas» que incentivaram João Proença da UGT a negociar o acordo (Antena 1, 19/Jan.) podem ter estragado a pose polÃtica da sua Central, mas contribuÃram para a sua finalidade, mostrando que lá também há pessoas inteligentes e preocupadas com a vida real dos trabalhadores.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 25 de Janeiro 2012
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