Quinta, 06 Outubro 2011 00:00

por João César das Neves*
Portugal vive um momento muito difÃcil e doloroso, com grave sofrimento para o povo. Um dos traços mais elevados do carácter da nossa gente é a ausência de rancor e recriminação.
Este não é um elemento fortuito, tendo-se verificado repetidamente no passado. Os Governos recém-empossados não costumam ser vingativos, e predomina uma paz podre, onde a culpa morre sempre solteira. Há décadas que são Ãnfimos os casos de responsáveis polÃticos ou administrativos julgados por incúria, erro ou crime, e tal não se deve à qualidade média da nossa gestão.
Isto tem vantagens e inconvenientes. Compreende-se o incómodo de muitos perante a injustiça da benevolência. A impunidade após anos de gestão danosa e talvez até dolosa passa pacificamente. A principal vÃtima é obviamente a justiça, que nunca chega a ser aplicada. Mas também se evitam averiguações, zangas e aproveitamentos a que estes processos sempre dão azo. A prioridade agora é salvar o paÃs, não supliciar réus.
Assim pessoas evidentemente responsáveis por erros enormes, e até abusos e crimes, que precipitaram o paÃs numa das maiores crises da sua história, saem calmamente das suas funções para um retiro temporário, alguns em cargos internacionais, onde preparam o regresso como heróis, logo que o povo esqueça. Nestes dias de crise, um único polÃtico é censurado pela dÃvida nacional, Alberto João Jardim. E ninguém conta que venha a ser castigado.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 6 de Outubro 2011
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