Quinta, 27 Janeiro 2011 00:00

por João César das Neves*
Toda a gente sabe que o principal perigo que Portugal enfrenta é o FMI. Se cairmos nas suas mãos estaremos perdidos. Se é assim tão horrÃvel, porque não tentar influenciá-lo a nosso favor?
Isto mostra a tolice do que se diz por aÃ. O FMI não é um papão internacional, mas uma organização criada em 1944, na célebre reunião de Bretton Woods, com o único propósito de ajudar paÃses em dificuldades financeiras. Portugal não só não é vÃtima do Fundo, mas um dos sócios, tendo aderido em 1960.
Mais, somos lá famosos por termos protagonizado dois dos maiores sucessos da sua longa história. Os nossos acordos assinados em Maio de 1978 e Outubro de 1983 conseguiram por duas vezes uma recuperação rápida e segura de credibilidade.
Antes de sermos o «bom aluno europeu», fama que desperdiçámos para nos enfiarmos na actual crise, tÃnhamos sido o bom aluno do FMI. A European Financial Stability Facility (EFSF), que agora tanto tememos, foi criada em 9 de Maio de 2010 pelos nossos antigos professores, UE e FMI, para ajudar paÃses em apertos.
Demonizar aquela que será a nossa salvação na enorme dificuldade em que nos metemos é sumamente irresponsável. A única explicação é que os que gemem esses medos são precisamente aqueles que criaram o problema que nos lança nas mãos do FMI.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 27 de Janeiro 2011
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