Quinta, 12 Maio 2011 00:00

por João César das Neves*
A situação nacional é grave. Estas difÃceis circunstâncias vêm enroladas em acontecimentos de tal maneira insólitos e aberrantes que são eles que ficam na história. Assistimos a factos únicos e impagáveis.
No inÃcio da semana passada o paÃs vivia ansioso esperando os sacrifÃcios a impor pela equipe de técnicos internacionais. Terça-feira 3 de Maio o senhor Primeiro-ministro esteve mais de seis minutos a dizer aquilo que NÃO estava no acordo. Foi uma das mais incrÃveis peças de retórica polÃtica da humanidade: um discurso de vitória, que deixou o paÃs sem saber o que o esperava!
José Sócrates é um homem espantoso. A sua resistência, resiliência e persistência são sobre-humanas. Não tem dúvidas, remorsos, falhas ou hesitações. Só certezas e soluções.
O paÃs vive grave crise, como o próprio assume, mas ele está inocente da situação, acusando os culpados. Nunca se lhe ouviu a menor palavra de responsabilidade ou desculpa. O Governo nunca falhou e é o melhor possÃvel.
Nada o afecta e ele segue tão confiante e desafiante como sempre. Ninguém mais conseguiria, após 6 anos de ataques, escândalos e fiascos, manter a pose impoluta do primeiro dia. Isto merecia ser estudado. Quando morrer, o senhor Primeiro-ministro devia doar o corpo à ciência.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 12 de Maio 2011
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