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Quinta-Feira,�19 deOutubro,�2017

O mistério do crescimento

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por João César das Neves*

Por que motivo a economia não cresce? A recessão acabou no início de 2013, perdendo 8,7% desde 2008, 5,2% com a troika. Ao fim de ano e meio, o PIB sobe 0,9%, quase estagnação. Porque não descola?

Não há aqui qualquer mistério. As várias causas podem resumir-se numa só: não existe crescimento em Portugal porque essa parece ser a última preocupação do país. Andamos demasiado ocupados com outras coisas. Claro que centenas de milhares de empresários e trabalhadores estão empenhadíssimos em aumentar a produção e relançar a economia. Mas a dívida nacional é enorme, as empresas estão descapitalizadas, o crédito cai e as elites, debate político e cultura mediática falam de crescimento apenas como voto piedoso, enquanto tratam de o contrariar.

A atitude de fundo é hostil ao progresso. Exigem-se subidas de salários e criação de emprego, mas desprezam-se lucros, investimentos e empresários, combate-se comércio e crédito, sem perceber que estão ligados. Por desagradável que seja, o único meio que até hoje criou crescimento passa por empresas e negócios, algo que os intelectuais vêem com supino asco.

Por baixo de leve crosta retórica, a finalidade nunca é promover desenvolvimento. Fala-se muito de progresso e tecnologia, mas aquilo que realmente ocupa os debates são cargos e dirigentes, regalias, benesses e direitos adquiridos. Propósitos meritórios são ambiente e consumidores, cultura, ordenamento urbano e outros desígnios abstractos que acabam sempre por criar obstáculos à produção. É que, se nada se vender, não existem consumidores ofendidos e a forma mais segura de salvar a ecologia é acabar com as empresas.

Portugal, que não gosta de empresários e negócios, vive fascinado com o Estado. Só se fala em eleições e postos, despesa e dívida públicas, serviços, garantias, políticas, pensões e organismos. Estas coisas são indiscutivelmente importantes, mas só existem se alimentadas pela produção das empresas, as quais são sempre as más da fita. Na cultura oficial não existe publicação, espectáculo ou exposição que não desdenhe, despreze e zurza o capitalismo e a actividade empresarial. Que aliás a amamenta, com impostos ou mecenas. Depois não há crescimento. Que pena! Mas exigem--se os subsídios.

Entretanto o omnipresente Estado insiste em promover o desenvolvimento, enquanto multiplica desperdícios. Todos conhecemos múltiplos projectos feitos em nome do progresso que em nada beneficiaram o país: auto-estradas sem tráfego, complexos industriais e pavilhões polidesportivos às moscas, enchendo os bolsos a certos grupos. A isto se juntam miríades de regulamentações e exigências, regras e imposições que aumentam custos e sustentam funcionários. Coletes reflectores e inspecções periódicas, medicina no trabalho e portarias regulamentares são caras e pesadas. Será que promovem mesmo o bem--estar?

Todos os anos no Outono vivemos um exemplo clamoroso de crescimento sem beneficio social. Os livros escolares geram lucros, produção e postos de trabalho, mas implicam a destruição de montanhas de volumes excelentes que, usados no ano passado, serviriam bem as novas turmas. As editoras, com a conivência tácita das autoridades, conseguem desqualificar os exemplares usados, lucrando à custa de pais e alunos, ricos e pobres.

A questão não é ideológica. Líderes de esquerda, como Bill Clinton, Barack Obama e Gerhard Schröder, souberam apoiar o crescimento. No Portugal de Guterres a Sócrates, Durão a Passos, domina o "capitalismo de compadres", copiado de Sarkozy ou Hollande, Zapatero ou Berlusconi, também em estagnação. Este governo diz-se amigo de mercados e iniciativa privada, enquanto a oposição prepara novo estatismo supostamente produtivo. O resultado será parecido, porque nem a troika reformou os interesses.

A falta de crescimento é fácil de explicar. Esta recuperação, sem ainda ter saído da cratera pública, parece um campo minado, com os grupos de compadres a explodir sucessivamente. Mistério é, apesar de tudo, existirem empresas capazes de se afirmar e prosperar.

 

 

 

naohaalmocosgratis (at) ucp.pt


*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.


 

Publicado no Diário de Notícias dia 6 de Outubro 2014

 

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