Quinta, 25 Fevereiro 2010 00:00

por João César das Neves*
É espantoso como as coisas se dirigem para a pior solução possÃvel. Em nome da estabilidade institucional ficamos com um Governo em quem ninguém acredita. Demoliram o Primeiro-ministro e, depois de demolido, mantêm-no. Parece ser a solução que agrada a todos. Vamos andar meses a fingir que o Governo não derrocou, enquanto os jornais dão diariamente novos detalhes dos escombros.
As suspeitas existem e são profundas. Não vale a pena negar a realidade, como alguns tentam. Dada essa realidade, as soluções seriam duas. Infelizmente nenhuma funciona, precisamente pelas razões que geraram o problema. Pode até dizer-se que a incapacidade de solução é o pior sinal do que há a resolver.
Poderia haver uma solução jurÃdica. Mas foi a incapacidade operativa dos tribunais que lançou a suspeita, a qual, por sua vez, ainda minou mais a confiança na Justiça. Poderia haver uma solução polÃtica. Mas foi a inexistência de alternativa credÃvel que levou à reeleição do Primeiro-ministro, sobre quem na altura já existiam fortes suspeitas.
Por isso a melhor solução é a pior: não haver solução. Isto prejudica sobretudo a vida polÃtica. Para o Primeiro-ministro, quanto mais ele prolongar o processo para sorver as últimas gotas de poder, pior o seu futuro polÃtico e do partido. Para as instituições a perda de credibilidade é crescente.
O paÃs até nem sofre muito, porque o barulho é lateral ao essencial. Nas Finanças, Saúde e Educação a coisa é secundária. Quem mais sofre é a estabilidade institucional. Precisamente aquilo que se diz preservar.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 25 de Fevereiro 2010
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