Quinta, 27 Maio 2010 00:00

por João César das Neves*
Hoje tende-se a exagerar a influência da economia.
Na terrÃvel crise grega a enorme dÃvida nacional asfixia o paÃs. Mas dizer que a crise é financeira é tolice. A questão decisiva pouco tem a ver com as exigências de credores.
O aspecto que assusta mesmo, e que foi também a causa do explosivo endividamento, é a desconfiança e conflitualidade sociais. A Grécia, que antes de entrar na CEE cresceu muito, foi desde então dominada por corporativismos, corrupção, incompetência, promessas não cumpridas.
Como consequência, o descontentamento e revolta sociais estão latentes há muito e grupos extremistas gozam de enorme influência. Todos têm razões válidas para desconfiar de todos os outros. Este clima social, não a factura financeira, é a principal tragédia grega.
Portugal tem uma dÃvida bastante inferior, embora em crescimento acelerado. Mas, acima de tudo, tem uma sociedade serena, confiante, benevolente. Ladramos muito mas mordemos pouco.
Vários analistas têm avisado que podemos vir a ter graves revoltas por causa da austeridade. Pode ser, mas isso nunca sucedeu nas antigas austeridades. Dizer isso é exagerar a influência da economia, muito menos influente que os aspectos humanos familiares, sociais, polÃticos, religiosos, culturais.
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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.
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Publicado no Destak dia 27 de Maio 2010
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