Terça, 02 Agosto 2011 00:00
Os Ãndices bolsistas americanos cairam em Julho. O ouro valorizou para novos máximos de sempre acima dos $1.600 por onça e a prata subiu fortemente. O dólar caiu e o crude west texas ficou por volta dos $95.

O que assistimos nas últimas semanas foi a um teatro polÃtico na América. Pouco teve a ver com o orçamento e tudo teve a ver com os poderes polÃticos.
Com o acordo do aumento do tecto da dÃvida nos EUA tudo ficou bem, certo? Errado!
A dÃvida dos EUA é só uma das métricas da condição financeira do paÃs, apenas inclui uma fracção das responsabilidades de toda a nação e representa o passado. Uma análise bem feita com projecções de receitas e despesas durante a próxima geração revelaria o verdadeiro colapso que está para vir e que é bem pior do que alguns republicanos e democratas apontam.
As verdadeiras ameaças à saúde económica dos EUA começam a ter impacto forte na segunda metade desta década -> o disparar das despesas com saúde, juntamente com o envelhecimento da população que converte uma geração de contribuintes numa geração desproporcional de beneficiários.
A palavra insustentável é aqui um eufemismo.

Há pouca vontade em fazer cortes na despesa.
Hoje em dia o dinheiro para o futuro é gasto, pouco se poupa e o consumo é esticado. O problema criado tem um nome e chama-se inflação. E continua a ser alimentado, estando a caminhar rapidamente para a hiperinflação.
O dinheiro necessário para que a economia cresça é gasto e não investido. Se olharmos para as taxas de juro e para a inflação é visivel que não vale a pena poupar, no sentido em que a poupança não é remunerada em termos reais.
O dólar americano já perdeu mais de 98% do seu valor desde a criação da Reserva Federal Americana (Fed) em 1913 e os americanos já não conseguem pagar a sua dÃvida que sobe todos os dias. Até a agora têm conseguido pagar os juros dessa dÃvida, à custa de mais crédito. Mas como se está a descobrir na Europa, isso acaba um dia.
Entretanto a transferência massiva de riqueza para o sector financeiro continua. Apenas entre 2008 e Julho de 2010 foram injetados $16,1 triliões no sector bancário mundial.
Quatro bancos americanos receberam $7,75 triliões, por acaso até são accionistas da Fed, o resto foi para instituições financeiras internacionais. Os quatro são Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup e Merrill Lynch.
As instituições internacionais são Barclays UK $868 biliões; Bear Stearns $853 biliões; Goldman Sachs $814 biliões; Royal Bank of Scotland $541 e $181 biliões, um total de $722 biliões; Credit Suisse of Switzerland $262 biliões; Lehman Bros. $183 biliões e BNP Paribas of France $175 biliões.
A inflação real já é superior a 10%.
Os governos e bancos centrais ocidentais não têm planos de contingência para situações de incumprimento, vão inventando pelo caminho, com os resultados que se estão a ver.

Na Europa, parece estar a terminar a primeira onda de problemas europeus. O 2º programa de resgate para a Grécia ainda não foi aprovado pela UE e os alemães estão furiosos com o negócio. Se for aprovado este será o último resgate grego. Segue-se a falência. A Grécia é uma pequena parte da UE mas pode ser o catalizador do fim do euro. O incumprimento da Grécia está a meses de ocorrer, no máximo a 18 meses de distância, mas é certo. De lá só temos visto greves e mais caos. Só a dÃvida gregar representa à volta de $500 biliões e pode derrubar o sistema financeiro europeu, e com isso levar ao incumprimento de Inglaterra e dos EUA.

É difÃcil fazer projeções para o futuro, porque não sabemos onde irão as taxas de juro. É provável que subam e bastante, vai chegar o momento em que face à inflação fora de controlo, será impossÃvel manter as taxas de juro em niveis historicamente baixos como estão. Já estamos a assistir ao levantar de algumas taxas de inflação oficiais, como em Portugal.


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